Heródoto, historiador grego

A historiografia é o estudo de como as histórias são escritas: é a história das histórias. Um dos determinantes da forma de se escrever a história é o seu objetivo: história oficial, popular, da nação como um todo ou dos particularismos de grupos ou comunidades. Outro determinante é a escolha da forma de abordagem que o pesquisador faz: positivista, marxista, genealogia, a escola francesa, a nova histórria dentre outras. As possibilidades do historiador são infinitas, um dos motivos pelos quais a História é sempre fascinante.

Na visão posisivista da História é comum que a visão oficial se sobreponha aos acontecimentos corriqueiros, ou que o registro histórico dos acontecimentos se ocupe das ações dos grupos preponderantes econômicos e políticos. Esse tipo de historiografia produz narrativas históricas que organizam o passado como uma linha de tempo contínua, pacífica e sem rupturas para criar heróis.

Em oposição à história positivista, os historiadores marxistas propoem substituir a narrativa dos grupos dominantes pela dos grupos dominados. Uma história preocupada com a sociedade como um todo, e não com indivíduos em destaque. Defendem a idéia de que as massas têm importância fundamental no desenvolvimento histórico, retirando da elite a sua importância. Um dos problemas dsse tipo de pesquisa são as fontes porque os Arquivos antigo apenas registravam a história oficial, daí a importancia dos Museus que guardam objetos, de trabalho ou pessoais, dos grupos não dominantes. 

Na década de 1930 surgia na França a proposta historiográfica do Annaes. A narrativa histórica deveria ser contextualizada em longos períodos seculares e utilizar novas fontes de pesquisa como arquivos policiais, cartoriais e religiosos para recriar espaços e temporalidades específicas e, também, incluir métodos de outras ciências para a análise da história: geografia, estatística, jornalismo, cultura material, mentalidade, psicologia e outras muitas facetas das histórias cotidianas.

A Nova História, uma proposta historiografica da década de 1970, permitiu a emergência de multiplas visões, o questionamento de tudo que se diz verdadeiro e único e que deve ser realizada por historiadores em parceria com geografos, filósofos, literatos, economistas, juristas, artistas e jornalistas, dentre outros. Sua função é a de multiplicar o conhecimento dos fatos e os olhares das muitas histórias. Essa mesma época também possibilitou a genealogia, como proposta para uma narrativa histórica que permite fazer rupturas, trabalhar o tempo cronológico em descontinuidades para fazer emergir as contradições e multiplicar em vez de sintetizar e reduzir em unicidades.

Texto parcialmente publicado por Angela Inês Liberatti para a Coleção Araçatuba: 100 anos

A historiografia contemporânea, essa do diálogo questionador entre pesquisadores e atores sociais, deve recuperar, pela leitura dos documentos, as lágrimas e risos, as esperanças e descrenças, os fracassos e vitórias de um povo que acorda e vive a história cotidiana e que merece ser conhecida.